
Sidarta Duarte
especial para O POVO
Ele é considerado o papa do funk carioca, não só por sua luta pelo reconhecimento do estilo como um movimento cultural, mas muito mais por suas produções, que ao longo de 24 anos de carreira revelaram nomes como Abdulah, Claudinho e Buchecha, Tati Quebra-Barraco, MC leozinho, Movimento Funk Clube, you Can dance (ex-dançarinos da Xuxa) e a nova sensação do pancadão: Perla.
Fernando luis Mattos da Matta, o dJ Marlboro, é versátil (dentro do estilo), vai do funk tamborzão ao funk melody e começou sua carreira no começo da década de 80, mas só veio ganhar projeção e notoriedade em 1989, ao vencer o concurso de Melhor dJ do Brasil. de lá pra cá, Marlboro consolidou o seu nome como o maior na cena nacional ao ganhar o mundo em festivais como Summer Stage, em Nova york, e Sonar, na Espanha.
A veia de produtor pode ser registrada com o lançamento do primeiro álbum do projeto Funk Brasil, no fim da década de 80. um trabalho cheio de versões de mayames (estilo de funk norte-ame- ricano) que teve como cantores Cidinho Cambalhota e Abdulah, o principal parceiro e co-autor do famoso e não menos obsceno Melô da Mulher Feia. No segundo disco, Funk Brasil 2, uma peculiaridade o diferenciou de todos os outros: cantando os funks de Marlboro estavam os globais luis Fernando Guimarães, regina Casé e dercy Gonçalves, que surpreendeu ao interpretar o Melô das Aranhas.
Este projeto lhe rendeu várias aparições na mídia e uma parceria com a apresentadora Xuxa, que inclusive teve suas paquitas também cantando no Funk Brasil IV. O projeto teve seu último lançamento em 2006, Bem Funk Brasil, com um sucesso avassalador de execu- ções dos hits Se Ela Dança Eu Danço, de MC leozinho, Glamourosa, de MC Marcinho, Boladona, de Tati Quebra-Barraco e Tremendo Va- cilão, de Perla, em rádio, televisão, festas do País inteiro e avançando fronteiras mundo afora.
O dJ também já atacou de escritor ao lançar dois livros: Funk no Brasil – Por Ele Mesmo e Aventura do DJ Marlboro Pela Terra do Funk, além de atuar na TV fazendo participação especial na série Cidade dos Homens, de Fernando Meirelles, e no cinema, em Show de Verão -aquele com luciano huck e Angélica e direção de diler Trindade –, transformando o set de filmagem, na Ilha de Caras, em um grande baile funk. Ainda no mundo da literatura, teve sua trajetória escrita pelo medalhão Zuenir Ventura, em sua obra Cidade Partida, e por hermano Viana, em O Mundo Funk Carioca. herma- no que, inclusive, doou de seu irmão herbert Viana (Paralamas do Sucesso) ao ainda iniciante dJ o seu primeiro teclado com progra- mações e sampler. hoje, o dJ Marlboro ainda mantém a atividade de produtor, mes- mo com muitos outros compromissos, como o de proprietário da gravadora link records, apresentador do programa de rádio Big Mix e, claro, o que todo dJ mais sabe e gosta de fazer: tocar.
E Fortaleza, onde outrora tocou na periferia, recebe-o nesta sex- ta-feira, no Siará hall, para um público em grande parte formado pelas classes média e alta. Marlboro vem no clima do mais recente trabalho lançado, o dual disc Funk Mix, e com certeza vai fazer a pista inteira descer até o chão.